Professores passarão por ‘testes regulares’, defende ministro da Educação

No Senado, Abraham Weintraub também disse que reitores terão de ‘prestar conta’ ao Congresso

Patrik Camporez

BRASÍLIA — Durante uma sabatina que já dura mais de três horas na Comissão de Educação do Senado, o ministro da Educação , Abraham Weintraub, tem se esforçado para responder às críticas dos parlamentares sobre o corte de 30% do orçamento de todas as universidades federais.

Ao mesmo tempo em que diz que os 30% não são cortes, mas contingenciamento, o ministro defende que o dinheiro público federal seja remanejado para a educação básica e critica o fato de, na avaliação dele, as universidades não gerarem resultados satisfatórios para o país.

O ministro chegou a sugerir que reitores de universidades federais precisam “prestar contas com o Congresso” e que professores da rede básica de ensino façam testes regulares para avaliação de desempenho, assim como alunos.

— Quais os instrumentos para entregar o que o Brasil precisa? Não tem uma bala de prata. A gente tem que valorizar o professor, pagar mais ao professor da base. Tem que ter testes para professores e alunos. Quando a gente não tem método nem critérios, quem paga é a criança. Sou a favor de testes mesmo que a gente precise pagar mais, gastar mais para realizar.

Weintraub também disse acreditar que a reforma da Previdência, após ser aprovada no Congresso, vai mudar o país “da água para o vinho e vai mudar a realidade das crianças nas escolas” e que o contingenciamento poderá ser revisto a partir do momento em que a arrecadação do governo voltar a crescer. Por outro lado, senadores disseram que o ministro estava chantageando os parlamentares, colocando como condição para investir na Educação a aprovação da Previdência.

Os senadores, em diversos momentos, criticaram o ministro por ele ‘não ter apresentado propostas” durante sua exposição de quase uma hora na sessão.

Weintraub ainda disse que, apesar de poucas pessoas desfrutarem das universidades públicas, quem paga o preço do ensino é a população mais pobre.

— Da base da pirâmide, as pessoas que estão mais sofrendo, vem esse imposto (para bancar as universidades). Os reitores deveriam prestar contas ao congresso nacional, ninguém no país pode estar acima da lei.

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