Exército derruba e prende ditador do Sudão que estava a 30 anos no poder

No poder em Cartum havia 30 anos, o ditador do Sudão, Omar al-Bashir, foi forçado pelos militares a renunciar nesta quinta-feira, após quatro meses de protestos.

Depois de uma manhã de rumores, o ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, anunciou no início da tarde (hora local) que Bashir foi deposto e preso, e que um conselho militar será formado para governar o país por um “período de transição” de dois anos, após o qual serão realizadas novas eleições.

À noite, a TV estatal do Sudão retransmitiu a posse do próprio Ibn Auf como líder do conselho, em cerimônia supervisionada pelo máximo representante do sistema judicial do país.

A Associação de Profissionais Sudaneses (APS), principal organizadora das manifestações, rejeitou o comunicado da Defesa e pediu a continuidade dos protestos.

Apesar do toque de recolher decretado pelos militares a partir das 22h locais (17h no Brasil), manifestantes continuavam nas ruas.

Parte dos críticos de Bashir pede um governo civil. A União Africana destacou que um “golpe não é a resposta apropriada” aos desafios do país.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma transição que “respeite o desejo democrático dos sudaneses”. Depois da manifestação da APS, milhares de manifestantes voltaram às ruas do centro de Cartum, aos gritos de “Caiam de novo” e “Caiam de uma vez”.

“O que aconteceu, para nós, é apenas um golpe (militar), e isso não é aceitável”, criticou Sara Abdelgalil, uma porta-voz da APS, segundo o New York Times. “Eles estão reciclando os rostos, e isso vai nos levar de volta aonde estávamos”.

O tenente-general Abdel Fattah al-Burhan Abdelrahman, novo chefe militar do Sudão, prometeu neste sábado, 13, que um governo civil voltará a ser formado no país após consultas a oposição em um período de transição que terá a duração de, no máximo, dois anos.

“Iniciaremos um diálogo com os partidos políticos para estudar como administrar o Sudão. Haverá um governo civil e não vamos intervir na composição”, disse. “Não é um golpe de estado militar, e sim uma tomada de decisão a favor do povo”, completou.

Os protestos no país eclodiram em dezembro, quando o governo retirou os subsídios que mantinham controlados os preços do pão e dos combustíveis, sob pressão de investidores estrangeiros, em meio a uma crise econômica.

Os 40 milhões de sudaneses sofrem há anos com a contração da economia, causada em parte por anos de sanções econômicas dos Estados Unidos — suspensas em outubro de 2017 — e pela perda de três quartos da produção de petróleo desde a secessão do Sudão do Sul, em 2011.

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